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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Afinal, o que é ser um profissional humanizado?

Humanizar o atendimento não é apenas chamar a paciente pelo nome, nem ter um sorriso nos lábios constantemente mas, além disso, também compreender seus medos, angústias, incertezas dando-lhe apoio e atenção permanente.

Humanizar também é, além do atendimento fraterno e humano, procurar aperfeiçoar os conhecimentos continuadamente e valorizar, no sentido antropológico e emocional, todos elementos implicados no evento assistencial. Na realidade, a Humanização do atendimento, seja em saúde ou não, deve valorizar o respeito afetivo ao outro, deve prestigiar a melhoria na vida de relação entre pessoas em geral.

1 . Aprimorar o conhecimento científico continuadamente é uma conseqüência do interesse e competência. Entretanto, o conhecimento continuamente adquirido deve ser o mais global possível, objetivando sempre atender as necessidades gerais dos pacientes, ao invés de se limitar exclusivamente à questão física ou específica da especialidade.

2 . Aliviar sempre que possível, controlar a dor e atender as queixas físicas e emocionais. A atenção emocional diz respeito à compreensão sensível das queixas do paciente, mesmo que estas não tenham base fisiopatológica ou anatômica. O que está em questão não são os limites dos livros de fisiopatologia, mas sim, a representação da realidade pelo paciente, suas vivências e seu estado existencial atual. O alívio global do paciente nem sempre se proporciona exclusivamente com analgésicos ou outras intervenções técnicas. Para o conforto global é imprescindível o bem estar afetivo, o qual pode envolver a companhia constante de familiares, a atuação de terapeutas, uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos e outros recursos psicoterápicos e ocupacionais necessários.

3. Oferecer informações sobre a doença, prognóstico e tratamento. Os profissionais da saúde não devem economizar palavras ou qualquer outra forma de comunicação. O silêncio do profissional é uma das mais importantes queixas dos pacientes e familiares em relação ao mau atendimento. Diante de um profissional calado e silencioso o paciente pode fantasiar para pior o seu estado de saúde, agravando assim seu estado emocional e, conseqüentemente, orgânico. As dúvidas e a carência de informações são as principais causas de não aderência ao tratamento e de procedimentos incorretos por parte dos pacientes, familiares e/ou cuidadores. A falta de diálogo com o profissional da saúde pode ser iatrogênico.

4. Respeitar o modo e a qualidade de vida do paciente. O tratamento médico deve, prioritariamente, ser uma atitude que visa melhorar a qualidade de vida do paciente, portanto, qualquer limitação ao seu estilo de vida imposta pelo tratamento deve ser evitada (desde que o estilo de vida em questão não seja o objeto do tratamento, como por exemplo, alcoolismo).
Alguns profissionais costumam ser insensíveis à esses valores, priorizando seus tratamentos em detrimento da qualidade de vida do paciente. Eles exigem que o paciente seja adequado ao tratamento e não ao contrário, o que seria desejável. Um exemplo disso, ocorre constantemente em Instituições de Saúde, cujas enfermeiras acordam os pacientes em sono profundo, às 23 horas, para tomarem o medicamento (sonífero) para dormir.

5. Respeitar a privacidade (e dignidade) do paciente. Tem sido tênue os limites entre tudo o que o paciente deve se submeter para melhorar e facilitar o trabalho do médico ou profissional de saúde e aquilo que o profissional quer que o paciente faça apenas para seu conforto e comodidade. Existem em determinados hospitais algumas roupas padronizadas para pacientes que aniquilam totalmente sua dignidade, deixando à mostra sua intimidade para pessoas que nem estão envolvidas na questão do diagnóstico e tratamento.

6. Compreender a importância de se oferecer ao paciente um suporte emocional adequado. É alta a porcentagem de pessoas que pioram o quadro e as queixas depois de conversarem com profissionais da saúde, quando a conversa é destituída da sensibilidade necessária ao bem estar emocional e afetivo do paciente. Essa frigidez emocional, comum em ambientes que deveriam confortar, pode resultar em agravamento dos sintomas, desenvolvimento de depressão e ansiedade que comprometem enormemente a recuperação.
Para o suporte emocional é importante favorecer algumas preferências do paciente que não comprometem em nada o andamento do tratamento, como por exemplo, em relação aos acompanhantes, às visitas e outros hábitos costumeiros. Isso tudo, ou seja, a introdução de recursos mais próximos do cotidiano das pessoas, tais como músicas, vídeos, filmes, apresentações, atividades artísticas, lazer, etc, suaviza a característica fria da atenção à saúde e melhora o estado emocional.

7. A instituição deve oferecer condições de trabalho adequadas ao profissional de saúde. O grau de ansiedade, frustração e descontentamento do profissional (em qualquer área) tende a repercutir em seu trabalho. Há instituições de atendimento à saúde já consideradas humanizadas, porém, algumas vezes essa humanização diz respeito exclusivamente à melhorias da estrutura física dos prédios. Evidentemente que a estrutura física dos imóveis é bastante relevante, mas a humanização da instituição vai além disso. Quando a instituição não oferece condições satisfatórias para seus profissionais, há um risco bastante aumentado do atendimento não se processar satisfatoriamente. Também todo o sistema está envolvido. O sistema deve atender a instituição em suas necessidades básicas administrativas, físicas e humanas.

Ballone GJ - Humanização do Atendimento em Saúde, in. PsiqWeb, Internet, disponível em <http://www.virtualpsy.org/temas/humaniza.html>, 2004

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Relatório aponta superlotação e falta de lazer em asilos

Segundo documento da OAB e do CFP, o Brasil não possui infra-estrutura mínima de abrigamento para população idosa. O documento foi feito a partir de inspeções em 22 Instituições de Longa Permanência para Idosos localizadas em 12 Estados.

São 15h, e 20 idosos enfileirados em dois bancos de madeira aguardam a atividade do dia - ver um filme dublado na televisão, ao lado de um senhor que lê uma revista de três semanas atrás e de outros que dormem em cadeiras de rodas. A cena é comum em asilos superlotados do Brasil onde milhares de idosos ociosos "esperam pela morte", segundo o relatório da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e CFP (Conselho Federal de Psicologia) obtido pela Folha."O Brasil não possui infra-estrutura mínima de abrigamento para sua população idosa", diz o documento, feito a partir de inspeções em 22 ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos), das quais 18 privadas, em 12 Estados. Dez foram tidas como superlotadas (quatro idosos por quarto), 11 não ofereciam lazer e 13 não tinham funcionários suficientes. Uma nem sequer tinha médico."Vimos depósitos de idosos abandonados, sem família ou contato com a comunidade", diz Ana Luiza Castro, coordenadora da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP. Ela diz que a "maioria dos asilos não está nas mãos do Estado" -dado confirmado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). "A estimativa é de que a maioria seja privada", diz o órgão, que está fazendo o levantamento dos asilos existentes no país". São 2.879 cadastrados até agora."Denúncias" motivaram a escolha dos asilos. Na Estância Cantareira, em São Paulo, a conselheira do Conselho Regional de Psicologia, Beatriz Belluzo, viu idosos misturados com casos psiquiátricos e a ausência de lazer. "Havia mesas em frente aos quartos que viviam à espera da refeição."No Solar da Vivência, onde há somente idosos, "a situação é ainda mais precária", diz Belluzo. "Lá só dão comida e remédio e havia idosos dormindo em cadeiras de rodas. Não se investe em atividades de lazer. Todo o resto é perfumaria."Em Pernambuco, a cena se repete. "A ociosidade é o que há de mais grave", diz a conselheira Christina Veras. "Eles ficam sem fazer nada, como restos de pessoas depositadas nas camas, sem oficinas e espaços para ler, pintar ou qualquer coisa que os ocupasse." No Residencial da Melhor Idade, Veras viu a dona colocar cadeiras na calçada em frente ao asilo, onde os idosos ficavam à espera de uma visita. "Nos outros, nem isso."A dona da Estância Cantareira, Cleide Mazzuli, negou a superlotação e disse oferecer atividades de lazer, como "cinema com pipoca uma vez por semana e terapia ocupacional quase todo dia". No Residencial da Melhor Idade, a dona, Luciane do Monte, disse ter "um recreador terças e quintas, o máximo que se consegue pagar com a mensalidade de um salário mínimo". No Solar da Vivência, ninguém respondeu.O relatório termina afirmando que o Estatuto do Idoso tem sido desrespeitado e recomenda ao Ministério Público a "instauração de procedimentos administrativos". Aprovado em 2003, o Estatuto garante ao idoso o direito ao lazer, à liberdade, à dignidade, a acomodações para recebimento de visitas e até assistência religiosa.Em parte dos asilos, as queixas dos internos falam de falta de sexo (os quartos, coletivos, são divididos por gênero) e de falta de padres. No dia em que a Folha visitou o Estância Cantareira, um padre celebrava uma missa. "De tanto pedirem a gente trouxe um", diz a dona.
WILLIAN VIEIRA

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Aumento de idosos preocupa geriatras

O progressivo aumento do número de idosos norte-americanos e a possibilidade de esse número alcançar o dobro nos próximos anos está gerando importante preocupação nos meios médicos locais. Para o professor Carmel B. Dyer, da Divisão de Medicina Geriátrica e Paliativa da Escola Médica da Universidade do Texas, em Houston, o receio é de que o sistema de saúde do país não esteja preparado para atender tão elevado número de doentes geriátricos nos próximos anos, já que esses pacientes requerem habilidades especiais de atenção, não só da parte do médico mas também de todo pessoal da área da saúde. Esta foi uma das razões da criação de um centro de educação geriátrica interdisciplinar na Universidade do Texas, subvencionado pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos. O centro terá como finalidade formar geriatras que irão ensinar a prática de saúde a idosos aos médicos clínicos para que eles se tornem especializados no atendimento desse tipo de paciente em diferentes ambientes como os hospitais, clínicas, casas de repouso e, também, centros de reabilitação. Dyer acrescenta que o médico especializado no atendimento a idosos deve estar capacitado a ajudar os pacientes e suas famílias no acesso aos recursos da comunidade, assim como manter a independência e também ajudá-los a reconhecer e prevenir tratamentos inadequados. Além disso, pretende ajudar a evitar a exploração financeira desses doentes e seus familiares por pessoas de má-fé.
JULIO ABRAMCZYK