A implantação das leis e políticas que contemplam a redução da violência e a proteção ao idoso necessita de medidas de adequação para esta parte da população vítima de violência e que sofre com problemas mentais. É o que mostra a pesquisa Análise diagnóstica de sistemas locais de saúde para atender aos agravos provocados por acidentes e violências contra idosos, conduzida pela pesquisadora Edinilsa Ramos de Souza, do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde (Claves/Ensp/Fiocruz). O projeto foi realizado com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os resultados estão sendo apresentados nas cinco cidades pesquisadas com o objetivo de debater as necessidades de adequação da estrutura e da organização da rede de serviços para atendimento ao idoso em situação de violência.
A pesquisa foi realizada em Manaus, Recife , Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba com a finalidade de investigar a situação da rede de atendimento à saúde das pessoas idosas vítimas de violência e com problemas mentais, bem como desenvolver um instrumento de análise diagnóstica sobre a implantação da Política de Redução de Acidentes e Violências para o atendimento. Pela análise dos indicadores, as políticas que contemplam a redução da violência e a proteção ao idoso apresentam uma situação bastante desigual nas capitais estudadas. Recife e Manaus, por exemplo, cumprem menos as diretrizes recomendadas em todos os níveis do atendimento nos serviços clínicos e de saúde mental, enquanto Rio de Janeiro e Curitiba satisfazem melhor os parâmetros estabelecidos pelas políticas.
De acordo com Edinilsa, avanços foram percebidos, mas muitos desafios precisam ser vencidos em relação à atenção adequada à pessoa idosa vítima de violência e aos que sofrem de problemas mentais. "A questão da violência requer novas abordagens do atendimento (integralidade, interdisciplinaridade e intersetorialidade) ainda em processo de construção na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências ainda é pouco divulgada e quase desconhecida; representa um desafio realizar a sua capilarização no sistema, assim como o enfrentamento do problema".
A Política de Saúde Mental encontra-se em processo de implantação, de acordo com a pesquisadora. No entanto, para ela, este é um momento fundamental para a inclusão da violência como problema de saúde, sendo os idosos um grupo de extrema vulnerabilidade. "A garantia de um atendimento voltado às especificidades desse grupo poderia contribuir tanto para prevenir a maioria dos abusos como também problemas mentais".
Fonte: FIOCRUZ - http://www.fiocruz.br/
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