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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Brasil é 7º em ranking de satisfação com a vida na América Latina

O Brasil ficou em 7º lugar em um ranking que mede a satisfação com a vida entre os moradores de 23 países da América Latina e Caribe feito pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

18 nov 2008 - Com pontuação de 6,2 (em uma escala de 1 a 10), o Brasil divide a 7ª posição com a Colômbia e a Jamaica. Os resultados estão em um estudo lançado como parte da série Desenvolvimento nas Américas, neste ano intitulada Além dos fatos: compreendendo a qualidade de vida. O país com o maior nível de satisfação com a vida na região foi a Costa Rica, com 7,4. O último do ranking foi o Haiti, com 3,8.

O Brasil ficou acima da média da região da América Latina e Caribe, de 5,8. De acordo com os dados globais do BID, a América do Norte é a região com maior satisfação, com 7,5. A África Subsaariana tem o pior nível de satisfação, de 4,2.
Os resultados foram calculados com base nos dados da Pesquisa Mundial 2007 do Instituto Gallup, em que foram entrevistadas mais de 40 mil pessoas com mais de 15 anos na América Latina e no Caribe, entre novembro de 2005 e dezembro de 2007. A margem de erro das pesquisas é de 3,1% a 5,1% e varia de acordo com cada país.
O estudo também utilizou informações complementares encomendadas diretamente pelo BID. Os entrevistados responderam a perguntas sobre sua avaliação de aspectos como qualidade da educação, atendimento de saúde, moradia e emprego.
Educação e emprego
Segundo o BID, o estudo revela que "as percepções das pessoas sobre educação e emprego na região podem diferir amplamente da realidade".
Quando analisado o nível de satisfação especificamente em relação ao emprego, o Brasil ocupa a 4ª posição, com percentual de 89,2% de pessoas satisfeitas, atrás apenas de Guatemala (93,6%), Costa Rica (92,9%) e Venezuela (90,6%).
De acordo com o BID, "81% dos cidadãos da América Latina e Caribe estão satisfeitos com seus empregos, apesar de um quarto da população da região não ganhar o suficiente para sair da pobreza e de a informalidade ter aumentado nos últimos anos".
Segundo o estudo, o que importa para a maioria das pessoas entrevistadas na região é o reconhecimento de seu trabalho e a flexibilidade no emprego, mais do que previdência social ou outros benefícios trabalhistas.
Em relação à educação, o Brasil aparece entre as últimas posições, com 64% de pessoas satisfeitas, mesmo percentual da Guatemala e do Equador, abaixo da média da região, de 70%. A Costa Rica ocupa a primeira posição, com 85% de satisfação. O Haiti é o último, com 43%.
Segundo o estudo, a maioria dos latino-americanos está satisfeita com a educação pública, apesar de os estudantes da região ficarem atrás das nações desenvolvidas e da Ásia em testes internacionais de avaliação.
O documento revela ainda que 83% das pessoas entrevistadas no Brasil estão satisfeitas com suas condições de moradia, mesmo percentual registrado na Colômbia e em El Salvador e semelhante à média da região, de 80%, mas bem abaixo do primeiro colocado, a Guatemala, com 90%
Na região, conforme o estudo, "quatro em cada cinco pessoas estão satisfeitas com suas casas e cidades". No entanto, diz o BID, "60%, o maior percentual entre todas as regiões do mundo, sentem-se inseguras ao caminhar sozinhas à noite".

Crescimento rápido pode reduzir satisfação com a vida, diz BID

Segundo o documento, há um paradoxo, e quanto mais rápido um país cresce, mais rapidamente crescem as expectativas de consumo e status econômico e social de seus habitantes.
Conforme o estudo, as mudanças aceleradas na economia, e não apenas o nível de renda ou de consumo, acabam afetando o nível de satisfação no curto prazo.
“No geral, os latino-americanos estão satisfeitos com sua vida, mas é interessante notar que as pessoas de alguns dos países mais pobres são as mais otimistas, enquanto cidadãos de alguns dos países mais desenvolvidos são os mais pessimistas”, diz o presidente do BID, Luis Alberto Moreno.
"Não é surpresa que as pessoas com renda mais alta sejam mais satisfeitas com a vida do que as de renda mais baixa, mas o crescimento econômico, na verdade, produz descontentamento em vez de uma felicidade maior, pelo menos no curto prazo", afirma.
O documento revela que a satisfação em países com altas taxas de crescimento nos últimos anos, como Trinidad e Tobago, Chile, Peru e Equador, é menor do que em países cujas economias apresentaram pouco crescimento, como Guiana, El Salvador, Paraguai e Guatemala.
De acordo com o BID, "países da região com alta renda per capita, como Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, apresentaram níveis moderados de satisfação com a vida, ficando atrás de países com renda per capita mais baixa, como Guatemala, Colômbia e Jamaica".
O BID afirma que, "individualmente, os cidadãos pobres de todos os países declararam níveis mais altos de satisfação com educação, moradia, emprego e saúde, o que é uma indicação de que eles podem ter aspirações mais baixas do que os ricos".
Governos
"Governos que centram suas políticas exclusivamente no crescimento tendem a perder apoio no longo prazo se não responderem às expectativas mais elevadas que acompanham o crescimento, em áreas que vão de educação e saúde à distribuição de renda", diz o economista-chefe do BID e coordenador do estudo, Eduardo Lora.
Segundo Lora, "a dificuldade está em responder a essas demandas sem sufocar o crescimento".
O BID afirma que apesar de alguns dos fatores que afetam a satisfação das pessoas oferecerem pouco espaço de ação de políticas públicas, como relações familiares, amizades e crenças religiosas, outros podem ser alvo de políticas governamentais.
“Este relatório pode ser um excelente recurso para os governos da região que agora enfrentam decisões difíceis de cortes de gastos, porque a crise financeira está reduzindo o crescimento econômico e prejudicando a arrecadação tributária”, diz Moreno.
O estudo é parte da série Desenvolvimento nas Américas, que neste ano é intitulada Além dos fatos: compreendendo a qualidade de vida e revela níveis "relativamente altos" de satisfação na América Latina e Caribe em comparação com outras regiões.
Os resultados foram calculados com base em dados da Pesquisa Mundial 2007 do Instituto Gallup, em que foram entrevistadas mais de 40 mil pessoas com mais de 15 anos na América Latina e no Caribe, entre novembro de 2005 e dezembro de 2007. A margem de erro dessa pesquisa é de 3,1% a 5,1% e varia de acordo com cada país.
O estudo também utilizou informações complementares encomendadas pelo BID. Os entrevistados responderam a perguntas sobre aspectos como qualidade da educação, atendimento de saúde, moradia e emprego.

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